Blog de Antonio Ventura, "um dos maiores expoentes rimbaudianos entre nós". (Menalton Braff)
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
terça-feira, 21 de outubro de 2014
PEQUENA INSINUAÇÃO DO VERMELHO
*Poema do livro "O guardador de abismos"
Vermelho é o vestido dela,
que incendeia minha paixão
vermelha como a febre
e vermelho como o arco-íris
na tarde ensanguentada
manchada de vermelho
e meu amor explode
dentro do vestido vermelho dela
dentro do sexo vermelho dela
dentro da boca vermelha dela.
Ó vermelho! Ó vermelho!
Onde explode minha vermelha paixão,
meu verdadeiro e vermelho pôr do sol,
onde passeio com ela,
com o vestido vermelho dela
com a boca vermelha dela.
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
VENTURA NA QUINTA POÉTICA
O poeta Antônio Ventura será um dos convidados da 69ª do projeto Quinta Poética, dia 25 de setembro, 19h, na Casa das Rosas, em São Paulo.
Toninho Ventura, fará uma participação especial.
O tema desta edição é "Ouvido na coxa: o Yin e o Yang da Poesia Hoje"
e a curadoria é do poeta Paulo Sposati Ortiz.
Estão todos convidados.
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quinta-feira, 4 de setembro de 2014
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
ELY VIEITEZ BIOGRAFA POETICAMENTE O ESCRITOR ANTONIO VENTURA
(*)Ely
Vieitez Lisboa
Conheci,
há muitos anos, o Menino. Ele era diferente, meio solitário, cismarento e
fascinado com as palavras. Quando ouvia um termo novo, que ele desconhecia, ficava
de olhos meio parados, sonhando. Ali nascia o Catador de Palavras e ele as
amealhava como um tesouro.
Muito
jovem ainda, iniciado nas leituras de grandes poetas, ele começou a produzir
seus primeiros poemas. Algum tempo depois era um Poeta. Aí começou a lenda.
Participava de todos os concursos literários na época e ganhava sempre.
Na
biografia dos poetas, há uma dicotomia entre o cidadão, com CPF, RG e o poeta.
Quando se lê um belo poema do Mago de Itabira, não é fácil lembrar do autor,
como personagem poética e do cidadão civil, funcionário público, casado, pai.
Parecem duas criaturas diversas, irreconciliáveis.
Nisso
também, a história do jovem poeta de Ribeirão Preto, é pitoresca. Na juventude,
ele, bonito como um príncipe, cabelos nos ombros, um romântico de outras eras,
ousou viver de poesia. Perambulava pelas portas dos teatros, em São Paulo e, a
partir de 1972, no Rio de Janeiro, vendendo seus poemas mimeografados, vivendo
quase de brisa, mas participando ativamente da vida cultural da época.
Um
dia, o cidadão reclamou seus direitos. E nosso poeta cortou os cabelos,
ingressou no sistema. Casou-se, vieram os filhos. Prestou concursos, trabalhou
nos Correios, alçou cargos importantes. Mas ele queria mais. Estudou muito e
chegou a Juiz, em 1991. Quando eu soube da novidade, escrevi um artigo para
ele. Morrera nosso Poeta? Felizmente não. Foi para Mococa, fundou o Grupo
Início de Poetas, continuou conciliando as duas vidas, então ao lado de sua
Musa, Débora Soares Perucello Ventura. Em 2011 publicou O Catador de Palavras,
com enorme sucesso, hoje é membro da ARL (Academia Ribeirãopretana de Letras) e
da União Brasileira de Escritores. O Guardador de Abismos, Ed. Topbooks, 2014,
segundo livro de nosso Poeta é surpreendente. Traz o precioso prólogo de Carlos
Nejar, da ABL, orelhas, contracapa com citações excelentes de autores famosos,
tudo valorizando a obra que, realmente, tem fascinado os leitores.
Aparentemente são textos em prosa e alguns poemas. Há que se enfatizar,
contudo, uma característica marcante: Em O Guardador, é o poeta amadurecido,
enfrentando bravamente a crueza da realidade, mas sem perder a esperança, a
alegria, em uma metafísica lispectoriana.
O
que valoriza, sobremaneira, a obra O Guardador de Abismos, sabiamente citado
pelo grande Carlos Nejar é o conceito feliz de “prosopoema” ou prosa poética.
Impossível, nos textos de Antônio Ventura, conceituar exatamente o que é prosa
ou poema, tudo ungido do mais puro lirismo.
Na
primeira orelha do livro, Ivan Junqueira, da ABL, cita algo que enobrece O
Guardador de Abismos, de A.V: “Assim como ocorre nos poemas em prosa, de
Baudelaire, percebe-se em O Guardador de Abismos uma nítida despreocupação,
seja com o ritmo, seja com a rima, e, ao contrário, uma incessante busca por
aqueles contrastes que tentam adaptar sua prosa “aos movimentos líricos da
alma” e “as ondulações do devaneio”.
Os
textos reunidos sob o subtítulo de Minha Bela, para Débora Soares Perucello
Ventura, são Cânticos de Amor, que vão muito além da realidade, um sentimento
excelso, meio mítico, consubstanciado em um lirismo maior. Mas a vida flui, com
sua inexorabilidade “saber é o grande horror”. Diante da lucidez, da qual não
se foge, o Amor surge como possibilidade única de realização.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
LIVRO DE TONINHO VENTURA GANHA REPORTAGEM NO G1
Fã de 'Odisseia', de Homero, menino de 10 anos lança na Flip primeiro
livro
'Toninho, o poeta A-Ventura' reúne poemas de Antonio P. Ventura. Segundo o pequeno autor, ele é inspirado pelo cotidiano e pela
mitologia.
Paola Fajonni - Do G1, em Paraty
Fã assumido de autores clássicos e com mais de 150 obras na estante, o
escritor Antonio P. Ventura, de dez anos, lançou seu primeiro livro neste
sábado (2), no Curto Circuito Off Flip, atração realizada em paralelo à 12ª
Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). "Toninho, o Poeta
A-Ventura" é uma coletânea de poesias do menino, que vive em Mococa (SP).
"Fui escrevendo um poema, escrevendo um poema, escrevendo um
poema... Aí, depois, a gente fez uma compilação de todos os poemas. A gente
juntou 12 de todos que escrevi e fez esse livro", diz Toninho, como
prefere ser chamado.
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Débora Ventura revela, no Jornal Enfim, sua experiência ao lado do marido poeta
Nos bastidores do livro O catador de palavras
Gostaria de compartilhar com vocês algumas experiências incríveis
que tive na companhia do poeta Antonio Ventura. Lembro-me de que certa vez estávamos
no Rio de Janeiro e o Ventura, após desligar o telefone, me disse que iríamos
nos encontrar com o poeta Ferreira Gullar, em sua casa. Mal pude acreditar.
Quando chegamos em Copacabana, na hora marcada, em frente ao
Edifício onde mora Gullar, um homem esbelto, cabelos bem cuidados e com uma
sacola de plástico nas mãos se aproximou. Subimos os três e ao adentrar no apartamento,
ele nos disse que tinha saído para comprar comida de gato. Sim, Ferreira Gullar
também era um homem comum, gostava de gatos; naquela manhã conversamos assuntos
incríveis e também sobre o livro do Ventura O Catador de palavras.
Outra lembrança mágica que vivi na companhia do Ventura foi quando
conheci Carlos Nejar, na Casa dos Ventos, Rio de Janeiro, com sua Elza. Um fato
curioso no nosso primeiro encontro foi que na sua casa tinham sido espalhadas
algumas esculturas de burro, o que me chamou a atenção. Surpreendentemente Nejar
nos falou que as esculturas de burro eram para lembrá-lo da humildade. Aquilo
me tocou profundamente, aquele homem tão erudito e iluminado, tinha dentro de
si a presença de Deus. Carlos Nejar prefaciou o livro do Ventura e com tamanha generosidade insistiu para que o Ventura
trocasseo título do livro de O Poeta para O Catador de palavras.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
terça-feira, 25 de junho de 2013
CARTAS AO POETA DORMINDO
Já está à venda no site da editora Thesaurus, o livro "cartas ao poeta dormindo", organizado por Marcos Linhares. Antônio Ventura está entre os autores das 17 cartas endereçadas postumamente a João Cabral de Melo Neto. A sua foi escrita em forma de poema.
Além das cartas, o livro traz uma entrevista inédita com o poeta.
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domingo, 26 de maio de 2013
quarta-feira, 22 de maio de 2013
"POESIA PRA MIM É UM DOM DE DEUS" (Ledice Aguiar)
Depoimento gravado no lançamento do livro O catador de palavras, em 2011, na Livraria da Travessa.
sábado, 4 de maio de 2013
terça-feira, 2 de abril de 2013
POEMA DE DÉBORA VENTURA NA REVISTA PONTO E VÍRGULA
A poeta Débora e outros
poemas
Antonio Ventura
A poeta Débora não nasceu no Sertão, mas no Sertão buscou os
olhos de Maria, viu a vida seca de Maria, os filhos de Maria comendo os xiquexiques cozidas na água e
sal, com gosto de nada, como a vida de Maria e de todas as Marias perdidas nos Sertões brasileiros. Nesse poema
Sertão, Débora espelha sua alma de guerreira.
Em outros poemas Débora conversa com o vento, num banco de
uma pracinha qualquer. Porque o vento vem sempre procurar a poeta para sussurrar as coisas
do mundo. Em outro poema Débora apenas na noite quer caminhar, pois o destino da poeta é caminhar na
noite, simplesmente caminhar.
Em outro poema Débora indaga sobre a existência do mar
batendo espumas na pedra, e em outro, fala
dos jardins com frutos dourados e suas maçãs.
Em outro poema...
Querida Débora, deixo aqui para você o meu amor, que trago
nas conchas de minhas mãos.
Sertão
(Débora Soares Perucello Ventura)
Maria, mulher guerreira, sofrida,
trava todos os dias uma guerra interminável com
o dia.
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quarta-feira, 13 de março de 2013
UM POETA CHAMADO ANTONIO VENTURA ELY VIEITEZ LISBOA

Coração não tem cronômetro. Para mim, há muito pouco tempo,
ANTONIO
VENTURA era um adolescente sonhador, enamorado das palavras.
Era poeta e ganhava todos os prêmios literários da cidade, no começo da década
de 60. Contam que ele até fazia compras por contado prêmio que viria e ele chegava
sempre. O adolescente meio nefelibata, que vivia cismando em cima dos livros de poetas
consagrados, cresceu. Sempre escrevendo, ganhou Prêmio de Honra ao Mérito do Concurso de
Contos, de âmbito nacional, promovido pela Secretaria de Educação e Cultura do
Estado de Santa Catarina. Obteve o primeiro lugar em Conto e em Poesia. Prêmio
“Governador do Estado”, no concurso promovido pela Secretaria de Educação e Cultura do
Estado de São Paulo. A vida é ilógica e inesperada. O Poeta amadureceu, casou-se,
virou advogado. Senti-me feliz, ao receber estes dias, dois belos poemas seus.
Significa que o POETA e o ADVOGADO estão conseguindo coabitar juntos. Segue abaixo um
de seus poemas, de grande beleza, imagens ricas e um forte sensualismo.
AMADA
Ó amada!
Quero tua boca, fruto fresco
da manhã, para matar minha sede.
Ó amada, quero teus cabelos
para fazer minha morada e minha teia!
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
UM POETA NA ACADEMIA...
Texto publicado no Blog do Gasparini
Acesse a publicação original
A partir do último dia 1º de fevereiro a Academia Ribeirãopretana de Letras passou a contar com mais um poeta nos seus quadros ao admitir Antonio Ventura, em concorrida solenidade realizada no Teatro Municipal de Ribeirão Preto, entre os seus integrantes.
Gostaria muito de ter participado daquela noite gloriosa para a cultura regional mas, em função de compromissos que me mantiveram ausente de Ribeirão Preto, me fiz representado pelo meu filho, o vereador Maurício Gasparini o qual, em meu nome, saudou e parabenizou a Academia pela iniciativa.
Em sua alocução, Maurício sublinhou minha admiração não apenas pela poesia como, também, pela personalidade simples e amiga do poeta Antonio Ventura, uma pessoa de origem humilde, mas que soube galgar, através do estudo e da persistência, posições relevantes, inclusive se aposentando como juiz de direito em Mococa após exercer a judicatura em diversos municípios do Estado de São Paulo.
Casado com a cirurgiã-dentista e ex-vereadora Débora Ventura, em Mococa Ventura desenvolveu sua inspiração poética brindando a literatura brasileira, em 2011, com a belíssima edição de “O Catador de Palavras”, um verdadeiro marco da poesia brasileira contemporânea.
A Academia Ribeirãopretana de Letras sempre contou, em seus quadros, com figuras exponenciais, entre tais alguns amigos muito queridos como os falecidos: cônego Arnaldo Padovani, Rubem Cione, Paulo Gomes Romeo, Sylvio Ricciardi, Mario Moreira Chaves, Ruy Ferreira Santos, Antonio Alves Passig, José Maria Morgade de Miranda, Osmani Emboaba da Costa, Romualdo Monteiro de Barros, Josaphat Guimarães Passos e Vicente Teodoro de Souza – e ainda conta, entre seus expoentes, com nomes como o jurista Saulo Ramos, o professor Divo Marino, o premiado escritor Menalton Braff, o juiz federal Augusto Martinez Perez, o ex-procurador-geral do Estado Feres Sabino, o jornalista Saulo Gomes, o médico Nelson Jacintho e a professora Ely Vietz Lisboa.
Antonio Ventura agora, sem qualquer dúvida, a engrandece com o seu talento literário e haverá de honrá-la assim como ao ocupante anterior da cadeira número 11 daquele sodalício, o professor-doutor Moises Tractenberg e também ao imortal patrono Luiz Gama, um dos grandes poetas do século 19.
Fundada em 1947 por um grupo liderado pelo jurista Saulo Ramos a ARL tem se constituído, ao longo desses mais de 60 anos, numa das mais ativas e influentes instituições do gênero no Brasil. Atualmente comandada pela professora Rosa Maria de Brito Cosenza, ela continua – como sempre – criteriosa e seletiva na escolha de seus integrantes; o mérito literário, hoje como em 1947, é o critério permanente a comandar a troca de valores mesmo porque eles são, invariavelmente, altos...
segunda-feira, 23 de abril de 2012
MAQUININHA
A máquina de escrever escreve.
Mas a máquina de escrever, coitada,
só se mexe, se eu tocar em suas teclas.
A máquina é tão eficiente!
Mas por que ela não escreve sozinha
a alegria que procuro
nessa noite escura?
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
O poeta e a nova ortografia
Interessante
nesse e em outros poemas de Antonio Ventura, que ele impõe aos poemas uma forma
sintética e simples, mesmo trabalhando com um idioma que tende para o prolixo.
Ele enxuga o poema, captando as imagens e a melodia (e no caso de ORTOGRAFIA capta a ironia). Nesse poema,
a palavra questiona os arranjos gramaticais do idioma. Penso que o poema pode
ter uma função dessacralizante do idioma, como fez Oswald de Andrade, que no
dizer de Mário da Silva Brito ao comentá-lo: “Enxuga e emagrece uma língua
quase sempre usada para descabelados desbordamentos”. ORTOGRAFIA revela que o poema tem muitos caminhos a serem
explorados.
Getúlio Cardozo.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
LAVRA PALAVRA
Para o poeta Mário Chamie
Não quero lavrar a palavra
se a lavra da palavra
não vier com o cheiro
do sangue da terra.
Não quero lavrar a palavra
somente pela palavra
se a lavra da palavra
não trouxer o sol
e a esperança do sol.
A lavra da palavra
não pode cair no vazio
da cisterna sem água.
Nem da boca sem sede.
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