Blog de Antonio Ventura, "um dos maiores expoentes rimbaudianos entre nós". (Menalton Braff)
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sexta-feira, 15 de novembro de 2013
segunda-feira, 11 de junho de 2012
ORTOGRAFIA
*Repetimos este poema a pedido de William Pinheiro, amigo do Facebook.
Um dia conheci o pôr-do-sol com hífen.
Mas o VOLP tirou o hífen de meu pôr-do-sol
anunciando a nova ortografia.
Mas nem por isso deixo de me sentar
sobre as pedras para olhar
o novo pôr do sol
todo rubro, ao cair da tarde
sobre o grande mar
igual antigamente.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
ORTOGRAFIA
Poema publicado no livro "O catador de palavras"
Um dia conheci o pôr-do-sol com
hífen.
Mas o VOLP tirou o hífen de meu pôr-do-sol
anunciando a nova ortografia.
Mas nem por isso deixo de me
sentar
sobre as pedras para olhar
o novo pôr do sol
todo rubro, ao cair da tarde
sobre o grande mar
igual antigamente.
O poeta e a nova ortografia
Interessante
nesse e em outros poemas de Antonio Ventura, que ele impõe aos poemas uma forma
sintética e simples, mesmo trabalhando com um idioma que tende para o prolixo.
Ele enxuga o poema, captando as imagens e a melodia (e no caso de ORTOGRAFIA capta a ironia). Nesse poema,
a palavra questiona os arranjos gramaticais do idioma. Penso que o poema pode
ter uma função dessacralizante do idioma, como fez Oswald de Andrade, que no
dizer de Mário da Silva Brito ao comentá-lo: “Enxuga e emagrece uma língua
quase sempre usada para descabelados desbordamentos”. ORTOGRAFIA revela que o poema tem muitos caminhos a serem
explorados.
Getúlio Cardozo.
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