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Ilustração: Antonio Ventura |
Hoje, dia 27 de setembro de 2005, 05:39 horas. Pensávamos
que tínhamos o destino igual ao das grandes chuvas. Da chuva que chove a noite
inteira como hoje. Sem parar, na madrugada quase dia. Pensávamos que o nosso
destino fosse esta chuva. Mas não só esta chuva, pois sabíamos que com a chuva
viriam os piados dos primeiros pássaros da manhã. Então pensávamos que nosso
destino fosse os piados dos primeiros pássaros da manhã, que está chegando. E
sabíamos que os pássaros anunciavam o sol que poderia vir logo na manhã, ou em
alguma manhã, ou tarde do dia. Mas que o sol viria, e que nosso destino fosse o
sol, com suas maçãs tão doces, e que nosso destino seria como as maçãs tão
doces. Tão doces como nosso destino que acorda na madrugada quase dia, chuvosa.
E a maravilha dos pássaros que piam lá fora, partes integrantes do mundo e da
chuva. E esse é o nosso destino, o destino desta manhã, com os pios dos
pássaros incessantes, penetrando nossos ouvidos, nosso corpo, nossa alma e
nosso destino sobre a Terra.
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