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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

"ITAPEVI AGORA" PUBLICA TEXTO DE ANTONIO VENTURA SOBRE A POSSE DE FERREIRA GULLAR

Poeta Ferreira Gullar toma posse
na Academia Brasileira de Letras

Antonio Ventura*

     Na noite do dia 5 de dezembro de 2014,  estávamos no Rio de Janeiro, adentrando o prédio da Academia Brasileira de Letras, eu, a Débora e o jovem poeta Toninho, meu filho, para assistirmos à Solenidade de posse de Ferreira Gullar a esta entidade. O Petit Trianon já estava completamente lotado por acadêmicos, escritores, poetas, artistas, jornalistas, políticos, demais autoridades e populares que em geral prestigiam a literatura.

     Foi com alegria inusitada que encontramos no local os acadêmicos e poetas Carlos Nejar e Antonio Carlos Secchin, dois prefaciadores de meus livros e do livro da Débora a ser lançado no começo de 2015, com os quais nutrimos amizade afetuosa.

     Pontualmente às 21h deu início à Solenidade de posse, o Presidente Geraldo Holanda Cavalcanti, determinando que os acadêmicos Cícero Sandroni e Antônio Torres introduzissem ao recinto o neoacadêmico Ferreira Gullar.

     Logo após, Ferreira Gullar foi convidado pelo Presidente a pronunciar seu discurso de posse, como manda a tradição. Em sua fala, inicialmente, disse Gullar:

     "Aqui estou, feliz da vida, uma vez que, aos 84 anos de idade, começo uma nova aventura, tomo um rumo inesperado que a algum lugar desconhecido há de levar-me. Agradeço particularmente a alguns dos membros atuais que, durante anos, pela amizade que a eles me liga, insistiram incansavelmente para que me candidatasse à ABL, como Eduardo Portella. José Sarney, Antônio Carlos Secchin, Cícero Sandroni, Ana Maria Machado, sem contar os amigos que já se foram, como Antônio Houaiss, Jorge Amado e próprio Ivan Junqueira, a quem tenho a honra – mas não alegria, nestas condições – de substituir. Aproveito a ocasião para pedir-lhes desculpas por tanto ter me esquivado à sua paciente generosidade."

     Depois Gullar enumerou e falou sobre as personalidades que o antecederam na Cadeira de número 37 e do respectivo patrono, Tomás Antônio Gonzaga, autor do célebre poema Marilia de Dirceu. Depois falou do fundador da Cadeira, Júlio da Silva Ramos, o primeiro a ocupá-la, e a seguir enumerou os demais: Getúlio Vargas, Assis Chateaubriand, João Cabral de Melo Neto, e terminou  seu discurso citando trecho de poema de Ivan Junqueira, seu antecessor.

     A seguir assumiu a tribuna o acadêmico e poeta Antonio Carlos Secchin, ensaísta e estudioso da rica obra literária de Ferreira Gullar. Com propriedade falou da obra e também de Gullar, como amigo e ser  humano. Vale a pena destacar  trechos do discurso de Secchin:

     "Toda vossa trajetória consistiu em perseguir e projetar esse rastro de  luz por onde quer que passastes.  A luz da esperança  contra a sombria face de um  mundo hostil. A luz da alegria contra o sofrimento. A luz da lucidez contra a treva do obscurantismo. Ao lado do poeta que sois, convivem o dramaturgo, o ficcionista, o biógrafo, o cronista, o tradutor, o teórico e crítico de arte, o ensaísta, o artista plástico, o memorialista."

     "Prefiro concentrar-me nos anos mais recentes, marcados por episódios felizes, como o recebimento da mais alta láurea desta instituição, o Prêmio Machado de Assis, em 2005; a obtenção do título de Doutor Honoris Causa, conferido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2010;  no mesmo ano, vossa  vitória no Prêmio Camões;  no dia 9 de outubro de 2014, vossa eleição para a Casa de Gonçalves Dias, chamemo-la assim, em homenagem ao patrono da cadeira 15 e vosso conterrâneo. "


     "Quero louvar a voz de um poeta maior que ingressa na Academia Brasileira de Letras. Com a tácita concordância  de tantos confrades que lhe sufragaram o nome, despeço-me  com a citação de um verso em que você proclama  a vocação agregadora da palavra poética, convidando a que todos nela se reconheçam. Assim, compartilhando a alegria de sua chegada a esta Casa, ouso dizer que hoje 'Essa voz somos nós'."

sábado, 17 de maio de 2014

O GUARDADOR NO ITAPEVI AGORA

O jornal Itapevi Agora publicou hoje uma reportagem sobre o lançamento do livro "O guardador de abismos" no dia 7 de maio, na Livraria da Travessa Ipanema, no Rio de Janeiro.


domingo, 4 de maio de 2014

FALTAM APENAS TRÊS DIAS

O jornal "Itapevi agora" publica o poema da primeira estrela, do livro O GUARDADOR DE ABISMOS que será lançado no dia 7 de maio, 19h, na Livaria da Travessa, no Rio de Janeiro.

Clique no link abaixo para confirmar sua presença.

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Poema da primeira estrela

1.
Por que, pai, me chamaste
quando eu estava no vento
vestido de branco?
No começo da noite, a lua fina aparece no céu azul
e perto desponta a primeira estrela.
A minha primeira namorada, pai,
foi uma estrela.

Eu vim, não porque pedi,
vim porque igual ao rio que corre
eu vim para te saudar, meu pai,
na casa do vento,
na praia da Urca, montanhas de pedra
sobre o mar quieto e sujo
de navios e pequenas embarcações.


2.
A minha primeira namorada, pai,
foi uma estrela.


Conta para todos.