domingo, 6 de novembro de 2011

PAISAGEM MARÍTIMA – ULISSES

                                                                         Ao poeta Carlos Nejar
Ilustração de Tânia Jorge

Antes de tudo é essa vontade constante
de viagem que trago no peito, e até
na alma. É de nascença, sempre fui assim.
A sede é minha irmã, por isso navego
por mares calmos e perigosos.
Estarei para sempre enfeitiçado
por isso mando meus feitiços,
mas um dia prometi
que voltarei para casa
e reverei Penélope.


A aventura da ave, da águia, da pomba,
os passarinhos e mesmo a serpente
enrodilhada
é meu lema, meu remo, minha nuvem.



Mas Ulisses é sempre estrangeiro,
mesmo dentro de sua própria casa.
Estou perdido e me encontro
sempre num ponto fixo;
e na verdade não faço parte
das metafísicas exatas.


Ulisses é um herói de propostas várias.
Ulisses é muitos e não tem uma só cara.
Ulisses não é fácil personagem
nem tão difícil. Ulisses quer apenas
essa tarde de sol maduro
plantá-la como planta em algum coração
perdido e enfeitiçado.
Penélope, te deixo estes fios, estas linhas,
para teceres no tear mais uma vez infinito.
Pega a linha do Kaos
e tece uma a uma o tempo necessário
de minha espera.


Penélope, espera, não tenhas tanta pressa
que estou em toda parte.

Um comentário:

  1. E assim vamos todos, tecendo a vida e esperando...
    Bravo, poeta!

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